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25/11/2011Trabalho flexível é mais efetivo se realizado fora da própria casa
Nem a empresa nem a casa. Esqueça a ideia de que trabalho flexível é só aquele que se desenvolve no lar, doce lar. Entre afazeres domésticos, telefone, família e outras distrações, muitas vezes acaba sendo má escolha resolver questões profissionais no lugar mais íntimo.
É o que revela pesquisa da ZZA Responsive User Environments, encomendada pela Regus. Segundo o estudo, 52% dos profissionais que trabalham em um “terceiro lugar”, em todo o mundo, usam centros empresariais em tempo integral ou durante uma parte do tempo, e 72% desses usuários passam três ou mais dias da semana no seu centro empresarial favorito ou em outros lugares, como bibliotecas, cafés e até clubes. A pesquisa mostra ainda que 70% dos usuários dos centros consideram esses ambientes mais produtivos do que os locais mais informais.
- Trabalhar de casa gera milhares de distrações. A pessoa faz isso bem por um mês, depois vê que não dá certo - diz Guilherme Ribeiro, diretor da Regus no Brasil. - A gente observa que os profissionais estão cada vez mais exigentes com o ambiente flexível, ou seja, não basta estar longe da empresa: há que se ter tranquilidade e recursos para trabalhar.
A maioria dos 17 mil entrevistados - entre profissionais liberais, funcionários de empresas e executivos - prefere desenvolver as atividades junto com outros profissionais, motivados por um propósito em comum, sem distrações, e com acesso às tecnologias e recursos que não estão à sua disposição em casa. Chamados de “migrantes digitais” - devido ao uso da tecnologia de aparelhos como iPads e laptops - essas pessoas são de todas as idades, de acordo com o estudo. Segundo Ribeiro, bibliotecas, cafés e clubes são ambientes mais propícios para profissionais liberais, como designers e publicitários, mas os representantes de áreas mais formais, como direito e administração, sentem-se mais confortáveis em espaços um pouco mais convencionais, como os centros empresariais. Uma prática comum das empresas, diz, é manter alguns funcionários trabalhando mais perto de suas casas, em escritórios alugados, o que geraria menos estresse com trânsito, maior qualidade de vida para eles e, consequentemente, maior produtividade.
- Hoje as empresas não precisam estar com todos os funcionários trabalhando no mesmo lugar. Ao mesmo tempo, investir no aluguel de centros empresariais e escritórios é uma boa estratégia para elas, porque aumenta a produtividade dos funcionários e reduz os custos e a burocracia com imóveis - afirma o diretor da Regus.
A oportunidade de trabalhar num local próximo de casa produz maior equilíbrio entre vida profissional e particular, deixando a pessoa mais satisfeita. Isso se reflete diretamente na eficiência. Um local próximo e conveniente foi citado por 73% dos entrevistados como o maior benefício de se trabalhar em um terceiro lugar.
Segundo a antropóloga Ziona Strelitz, diretora da ZZA Responsive User Environments, os empresários não devem se preocupar com faltas ou dificuldade de cumprir agenda, por parte dos funcionários que trabalham em ambientes flexíveis. Para pessoas envolvidas em qualquer setor, diz, o sucesso depende de se obter o máximo de gente motivada e apaixonada pelo que faz:
- Os homens de negócios têm que reconhecer para que estão no negócio: entregar valor, não vigiar seus funcionários.
(Fonte: O Globo - 18/11/2011)