VoltarNotícias
06/12/2011Está a ponto de surtar no trabalho? Controle-se
Jogar o telefone no chão, agredir um colega de trabalho, subir na mesa de reunião e gritar. Atitudes extremas que muita gente acaba tomando, no ambiente de trabalho, geralmente porque está num nível muito alto de estresse e descontrole emocional.
Basta buscar no YouTube por “estresse no trabalho” ou “fúria no escritório” para constatar que esse tipo de situação acontece em qualquer lugar do mundo e em qualquer setor. Mas, apesar de ser até engraçado para quem vê de longe, um dia de fúria pode acabar tendo consequências irreversíveis para a imagem (e até para a carreira) do profissional.
Especialistas em recursos humanos são unânimes ao afirmar que comportamentos descontrolados são extremamente negativos dentro de qualquer ambiente organizacional, e que devem ser evitados a todo custo. Mesmo que o profissional esteja sobrecarregado e estressado com problemas pessoais, dizem, mais vale conversar com o gestor imediato, negociar uma folga ou uma antecipação de férias. Para Fátima Sanchez, gestora do Instituto Personal Service, atitudes como bater a porta ou falar coisas desagradáveis para um colega são vistas, no mínimo, como episódios de infantilidade.
- É importante que a pessoa perceba os sinais do próprio corpo de que está chegando ao limite da paciência. Nessas horas, levantar-se, dar uma volta, ir ao banheiro, lavar o rosto, fazer algo que te tire daquela situação, é fundamental - explica Fátima. - Até picar papel higiênico no banheiro, para se acalmar, é melhor do que fazer uma besteira que depois não tem conserto.
As consequências dos ataques de raiva variam de uma demissão por justa causa ao isolamento social no trabalho. Segundo Priscilla Telles, gerente-executiva da Ricardo Xavier Recursos Humanos, quando as pessoas agem de forma agressiva ou descontrolada, podem acabar sendo isoladas pelos colegas, que deixam de estar perto dentro do local de trabalho, e param de convidar a pessoa para eventos externos. Em alguns casos, conta, as pessoas acabam desenvolvendo depois alguma doença psíquica, como depressão.
- Às vezes, a pessoa passa a se irritar por causa de um medicamento que altera o humor. Conheço uma consultora que, quando passou a tomar um remédio para emagrecer, com anfetamina, passou a ser agressiva com funcionários. No caso dela, logo percebemos que era algo externo, porque ela sempre havia sido equilibrada e gentil - conta. - É importante que o gestor do funcionário que apresenta sinais de irritabilidade muito grande, por exemplo, converse com ele para investigar o que está acontecendo e evitar que a situação chegue a um ponto insustentável.
Agressão a um colega de trabalho é tratada, juridicamente, como um acidente de trabalho, de acordo com Fátima Sanchez. Em casos assim, nem se retratar perante a pessoa e o grupo - embora aconselhável - consegue, de fato, amenizar o ocorrido:
- O profissional vai acabar ficando conhecido como aquele que voou no pescoço de fulano. É muito difícil que a pessoa reconstrua sua imagem depois disso.
Há quem tenha um dia de fúria no momento da demissão. É o caso de uma publicitária carioca que preferiu não se identificar. Após trabalhar durante cinco anos no setor de marketing de uma empresa de importação sem férias e com salário baixo, ela tentou negociar uma demissão com sua chefia, que pareceu concordar. Chegaram a um acordo de que ela treinaria seu substituto e que seria demitida, tendo o benefício financeiro do seguro-desemprego e do acesso ao FGTS. Três meses depois, percebendo que seu chefe não cumpriria o combinado, pediu demissão dizendo tudo o que achava dele, na frente dos colegas.
- Naquele dia perdi o seguro-desemprego, mas, em contrapartida, falei tudo que estava entalado há anos. Ele ficou perplexo, e eu me tornei um ídolo para os outros funcionários - conta. - Mas sei que, se eu não tivesse tido uma postura tão ‘pacífica’ naqueles cinco anos, se tivesse conversado mais com meu chefe e até criticado algumas coisas, não teria chegado àquele ponto.
Segundo Eliana Dutra, diretora executiva da Pro-Fit Coaching & Treinamento, porém, a questão, na maioria das vezes, não é o estresse em si, mas o temperamento do profissional. Quando é um gestor que se utiliza de recursos como grito e explosão para demonstrar poder, trata-se de assédio moral.
- Qualquer profissional que tenha temperamento explosivo ou um descontrole emocional deve se tratar, fazendo uma terapia, por exemplo - afirma. - Um cliente me contou que seu chefe uma vez quebrou uma cadeira quando soube de uma notícia que o desagradou. Isso é inaceitável nos dias de hoje.
Confira orientações de consultores para prevenir acessos de raiva
CONVERSE COM SEU CHEFE: Se estiver muito estressado, cansado ou com problemas pessoais, a melhor recomendação é falar com o gestor imediato. Ele pode ajudá-lo a antecipar as férias ou, ao menos, tirar umas folgas. De qualquer forma, você estará se prevenindo de qualquer futura crise de raiva.
PERCEBA OS SINAIS DE ESTRESSE E TENTE RELAXAR: Ficar atento aos sinais do próprio corpo é fundamental para não chegar à gota d’água e fazer uma besteira. Caso sinta que está muito tenso/nervoso ou irritado, levante-se, dê uma volta pela empresa (ou mesmo vá até a rua e volte). Ir ao banheiro e lavar o rosto também pode ajudar. Há terapias contra estresse que recomendam até picar papel higiênico dentro do banheiro para se acalmar. É melhor do que fazer uma besteira que depois não tem conserto.
TRATE DE SUA SAÚDE PSÍQUICA: Mesmo que não sofra de uma doença psiquiátrica, fique atento à sua saúde psíquica; ou seja, se perceber sinais de desordem emocional ou mesmo de depressão ou síndrome do pânico, procure um especialista e faça um tratamento. De qualquer forma, só um médico poderá dizer qual é o tratamento mais indicado para você.
(Fonte: O Globo - 1/12/2011)