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05/01/2012Como melhorar o clima de trabalho na sua empresa
Fofoca, estresse e descontentamento. Essas são algumas características de um ambiente de trabalho pesado, que contribui para uma equipe pouco disposta a buscar os melhores resultados para a sua empresa.
Muita gente gostaria de trabalhar em ambientes como o criado pelo Google. Salas de jogos, cores vivas, sofás e poltronas confortáveis e descontração para aliviar o peso de ter que garantir os melhores resultados.
Para proporcionar um ambiente de trabalho mais leve, é preciso investimento e dedicação. “Passamos as melhores horas do dia e os melhores anos da nossa vida no trabalho”, enfatiza Maria Cecília Coutinho, professora dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV). O clima desagradável compromete o rendimento dos funcionários e a própria atividade da empresa à sociedade.
Adriana Gomes, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirma que a proximidade do empreendedor com a equipe facilita identificar quando o ambiente não está dos mais agradáveis. “Às vezes, ele está tão envolvido no trabalho que não percebe o que alguém de fora, como uma consultoria, vê”, diz Adriana.
Os sintomas são notados no mapeamento de processos, quando há gargalos de produção e pontos de conflito. Parte do peso deste diagnóstico é do líder, que pode usar erroneamente da autoridade para impor processos que não seriam os mais adequados.
Na empresa Acesso Digital, conhecida por imitar o ambiente de trabalho descontraído do Google, os trabalhadores têm espaços para fazer pausas e até cuidar da saúde durante o expediente. “A gente acredita no conceito de liberdade. Aqui os funcionários podem trabalhar do jeito deles, de casa ou nos nossos ambientes, mas todos têm metas mensais para cumprir”, destaca o presidente Diego Torres Martins. Confira a seguir as dicas para tornar a sua empresa um local de trabalho agradável e fazer o trabalho render mais.
1.Tenha um ambiente confortável
Na própria decoração e disposição dos ambientes de trabalho, o gestor pode fazer modificações com a ajudar de um designer, para deixá-los mais agradáveis e confortáveis. A implantação desses ambientes deve funcionar como uma via de mão dupla, em que o empregado deve ser estimulado a frequentá-lo, mas deixando claro o que se espera sobre o desempenho dele. “Não adianta implantar se não existe essa cultura dentro da empresa”, diz Adriana. Por isso, não adianta fazer espaços de descanso e reclamar que as pessoas estão usando.
2.Fale sobre salário
Sobre comentários em relação à diferença salarial, o recomendável é que o assunto seja discutido com o RH da empresa. De qualquer forma, o salário também envolve o nível de competência que cada funcionário utiliza no trabalho.
É importante também que a empresa tenha um plano de carreira para os funcionários. Pequenas e médias empresas têm atraído jovens funcionários interessados em adquirir experiência em diferentes áreas do mesmo negócio, já que a equipe é mais enxuta. Segundo Maria Cecília Coutinho, a possibilidade de crescimento pode ser mais rápida, porém é um caminho mais curto em relação às companhias de maior porte. “Deve haver o acompanhamento do plano de carreira alinhado ao projeto de expansão da empresa”, diz.
3.Estimule a participação
Dê mais um passo no envolvimento dos empregados com o seu negócio. Proponha uma política de trabalho mais próxima, que permite ouvir, estudar e acatar algumas sugestões dadas por eles, seja na redução de custos, no contato com o cliente ou nos tipos de premiações.
Considere também a ideia de ajudar na qualificação do funcionário, desde que mostre que seja em uma área relacionada à função que ele desempenha e a importância do trabalho dele para o futuro da empresa.
Funcionários desanimados geralmente compartilham a insatisfação e os problemas dos demais colegas, do chefe e da estrutura da empresa. A postura se torna habitual e permite fofocas que podem gerar consequências desagradáveis. Para a professora da FGV, o primeiro passo para amenizar o clima no trabalho é acabar com esta postura nos funcionários.
A orientação é que se converse com a pessoa para resolver o problema. “Tem que esquecer o passado para viver o dia, o que ajuda a ser mais otimista e a ter um clima mais leve, por mais dificuldades que se tenha”, comenta Maria Cecília. É função do gestor alertar a todos que problemas pessoais devem ser resolvidos fora da empresa e ressaltar a importância da sinergia e colaboração de todos nos resultados. “O gestor tem que gostar de pessoas e não de processos”, diz Adriana.
4.Organize-se
Mesa, gaveta e qualquer outro espaço que o funcionário utiliza devem estar organizados. A sugestão deve ser dada não para atender aos caprichos do chefe, mas porque ajuda na fluidez do trabalho. Um ambiente desorganizado toma tempo e compromete o desempenho. Maria Cecília orienta que o líder busque treinamento externo para a equipe sobre como administrar melhor o tempo ou avaliar a possibilidade de uma redistribuição de tarefas.
5.Distribua melhor as tarefas
Excesso de trabalho também prejudica o clima no escritório. A rotina gera estresse e pouca contribuição. Segundo a professora da FGV, ter uma vida saudável fora do trabalho é essencial. Se for o caso, estimule que as pessoas trabalhem dentro do horário ou redistribua as tarefas. “Os funcionários começam a entender o que é família, exercício físico e passam a conviver melhor entre eles porque voltam a ter uma vida fora do trabalho”, diz.
6.Estabeleça metas possíveis
Há empresários que pensam erroneamente que estipular uma meta acima do que os funcionários podem alcançar é fazer com que eles se esforcem mais. Para a professora da FGV, a estratégia pode gerar sentimento de frustração e incompetência e provocar esgotamento. O quanto cada funcionário deve produzir pode fazer parte do planejamento da empresa para o ano seguinte.
Na Acesso Digital, existem premiações para quando as metas são atingidas e toda a equipe ganha. “É incrível ver que mesmo os funcionários que não têm uma relação direta com as vendas contribuem para a motivação da equipe toda”, diz Martins.
7.Seja um exemplo
Muitas vezes, o líder acha que o funcionário deve fazer tanto quanto ele ou ter a mesma competência para fazer o trabalho que ele também faz. “Líder tem que dar exemplo”, destaca Maria Cecília. Em outros casos, os donos de pequenas e médias empresas acabam sendo mais autoritários do que líderes. “É diferente mandar e ter a colaboração dos funcionários. Estas empresas surgem do conhecimento técnico do dono, que pode não ter noções sobre gestão”, diz Adriana.
8.Seja transparente
O momento da demissão não é fácil para ninguém. “O empregado tem que aprender com a demissão. Então que diga se é porque ele estava na linha de corte ou porque errou”, diz Maria Cecília.
Se for o caso, o gestor pode e deve checar a conduta do empregado com colegas e conversar com ele para melhorar o desempenho. “Assim ele não é pego de repente”, diz a professora da FGV. Quem trabalha junto com o demitido tem o direito de saber o motivo para evitar que fofocas circulem. Em pequenas e médias empresas, o contato costuma ser mais próximo, o que permite que o gestor enxergue e explore o potencial dos trabalhadores.
(Fonte: Portal Exame - 28/12/2011)