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25/01/2012

Os desafios das entrevistas de emprego não convencionais

Por telefone ou em inglês. As entrevistas de emprego não convencionais estão se tornando cada vez mais frequentes no universo das empresas brasileiras. A modalidade telefônica, dizem especialistas, geralmente é uma pré-seleção feita por recrutadores, antes da entrevista presencial. Serve como um filtro.

E engana-se quem pensa que, por não precisar encarar o recrutador, é mais fácil ser entrevistado por telefone. Segundo José Augusto Figueiredo, presidente do International Coaching Federation no Brasil (ICF-Brasil), a entrevista ao telefone acaba sendo mais difícil, por exigir um esforço maior do candidato para obter a empatia do entrevistador. No processo, diz, é importante que o candidato seja mais enfático e fale de forma pausada na hora de transmitir as ideias.

- Entrevista é um jogo de sedução, um processo de encantamento. Não estar cara a cara com o entrevistador dificulta a conquista da empatia dele - explica Figueiredo. - Por isso, é importante que o candidato escute muito bem a pergunta antes de responder, que evite a tendência a começar a falar antes do recrutador e que se restrinja a responder o que lhe foi perguntado, sem se prolongar nem ser breve demais.

Na avaliação de Figueiredo, na maior parte das entrevistas, incluindo as que são por telefone, o que mais se avalia não é propriamente o conhecimento técnico dos candidatos - embora isso seja, diz ele, a parte mais fácil de descobrir -, e sim sua atitude (crenças, valores e, em última análise, traços de personalidade) e habilidades (se trabalha bem em equipe, por exemplo).

- Portanto, é importante responder de forma firme, consciente e sincera: sem rodeios, mas também evitando fazer afirmações taxativas ou dizer coisas como se fossem verdades absolutas - explica Figueiredo.

O neurolinguista e coach Luiz Claudio Gomes acrescenta que o uso da voz é muito importante nas entrevistas por telefone. Ele ressalta que é possível criar um vínculo, uma empatia, com o recrutador, mesmo à distância:

- Uma técnica interessante é procurar usar o mesmo tom de voz do entrevistador. Se ele (ou ela) falar de forma bem pausada, faça o mesmo. É claro que, se falar rápido demais, não significa que se deva acompanhar, mas é possível manter um tom semelhante.

Entrevista em inglês requer ‘dever de casa’ de escrever perguntas e respostas no idioma

Nos casos em que a entrevista é feita no idioma inglês, a primeira recomendação é fazer o “dever de casa” de, antes dela, escrever, em casa, as perguntas que acha prováveis de serem perguntadas e também as respostas - tudo em inglês. Isso ajuda o candidato a se preocupar, na hora da entrevista, mais com a forma do que com o conteúdo, afirma Figueiredo, já que o fato de estar sendo avaliado numa língua diferente da sua sempre traz certa apreensão e nervosismo, que podem dificultar que o candidato mostre ao entrevistador quem realmente é.

- Quando a pessoa não é tão fluente no idioma, leva um tempo traduzindo mentalmente as perguntas e respostas, na hora da entrevista, o que faz com que perca a qualidade do entusiasmo, da espontaneidade do processo - explica. - Treinar antes ajuda a pessoa a saber exatamente o que vai falar, então é menos uma preocupação.

Já Paulo Macedo, tradutor juramentado e sócio do Flash Idiomas, chama a atenção para o fato de que, entre as principais preocupações do candidato, deve estar a pronúncia correta e a fluência, não o sotaque.

- O brasileiro se preocupa demais se deve falar um inglês com sotaque americano, britânico ou australiano. Não é isso que conta para o entrevistador, porque ele sabe que a pessoa não é um falante nativo. Preocupe-se com a pronúncia e com a correção do inglês - adverte.

Outra questão são os jargões específicos da área de atuação profissional: o candidato deve procurar dominar ao menos o básico, na medida do possível. Para facilitar, existem glossários profissionais em inglês tanto on-line quanto em livrarias. Macedo comenta que há alguns falsos cognatos nos jargões, que não podem ser confundidos.

- Não deixe também de usar sempre “please”, “sorry” e “thank you”, que são expressões muito utilizadas em inglês, e que fazem parte da cultura do idioma - aconselha. - Por outro lado, evite gírias, vícios de linguagem (como “I mean…”), e abuse dos phrasal verbs e das expressões idiomáticas. Usadas adequadamente, podem causar boa impressão.

Além disso, acrescenta Macedo, é um bom treino responder as perguntas que acha que serão feitas, antes, com um professor de inglês. Caso a entrevista em inglês seja ao telefone, especialistas recomendam estar com o currículo (em inglês) à mão e com o Google e um tradutor abertos.

(Fonte: O Globo - 13/01/2012)