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26/01/2012Trabalhar demais pode dar demissão. Nos EUA.
Chegar sempre fora de hora, não cumprir as tarefas determinadas pelo chefe ou apresentar comportamento antiprofissional são motivos para uma demissão. Agora, adicione mais este à lista: trabalhar durante o horário de almoço.
É o que mostra artigo de Josh Sanburn, publicado no site Time Moneyland. O jornalista dá como exemplo o caso de Sharon Smiley, recepcionista e assistente administrativa de uma empresa estatal de Chicago, nos Estados Unidos. Em janeiro de 2010, o prazo para ela terminar um projeto estava estourando. Então, Sharon decidiu ‘‘beliscar um lanchinho’’ em sua mesa de trabalho, enquanto usava a hora de almoço para concluir o trabalho. Um gerente da empresa, que não era seu chefe imediato, disse que ela deveria deixar sua mesa e ir almoçar fora dali. Sharon não lhe deu atenção e continuou trabalhando. Resultado? Foi demitida.
É que, pelas normas da empresa, todos os funcionários têm de dar uma pausa para o almoço de pelo menos 30 minutos. A situação se complicou pelo fato de Sharon ser recepcionista e, portanto, se sentar no hall de entrada da empresa. Para os gerentes, foi pouco profissional de sua parte comer na frente de clientes - ou potenciais clientes - que passavam pela porta principal. Ela não só perdeu o emprego, como também o direito de entrar com pedido de seguro-desemprego, já que foi demitida por justa causa. O caso foi parar na Justiça. Na semana passada, uma corte de apelações de Illinois (EUA) decidiu que Sharon não deveria ter ficado sem o seguro-desemprego, já que não tinha cometido falta grave.
O caso de Sharon traz à tona uma questão que poucas pessoas pensavam existir: a possibilidade de ser demitido por trabalhar demais. Numa época em que, devido à crise internacional, os empregadores estão deixando de contratar e tentam distribuir a maior quantidade de trabalho possível, não é de se estranhar que as organizações se sintam felizes por ter funcionários trabalhando durante o almoço.
Mas este tipo de problema já ocorreu antes, conta Sanburn. Em 2004, o New York Times fez uma reportagem sobre como os americanos estavam trabalhando além da hora, alguns sendo obrigados por seus gestores, para reduzir custos. Irritados por estarem sendo forçados a trabalhar mais pelo mesmo salário, eles começaram a processar as empresas e a vencer as ações. A T-Mobile, por exemplo, teve de pagar milhões de indenização depois que o Departamento de Trabalho revelou que a empresa de telefone sem fio forçou 20,5 mil funcionários de call centers a atuarem fora do horário.
Hoje, continua Sanburn, muitos empregados se veem encurralados entre demandas incompatíveis das empresas, que querem ver o trabalho pronto (o mais rapidamente possível), não querem pagar horas extras e são paranóicas quanto a potenciais processos judiciais. Diante deste quadro, o que fazer?
Primeiro, mostra o artigo, é essencial verificar qual a política da empresa a respeito de quando pode trabalhar, quando pode dar uma pausa para o almoço e se o seu empregador permite horas extras. Além disso, é importante ter em mente que os empregadores podem demitir pessoas por qualquer motivo, desde que não seja discriminatório. E, de fato, violar a política da empresa contra trabalhar durante a pausa para o almoço ou fazer horas extras sem a aprovação de seu gestor é uma legítima - ou pelo menos legal - razão para uma demissão.
Para a consultora Alexandra Visconti, gerente de recursos humanos da Personal Service, a funcionária em questão merecia, no máximo, uma advertência, caso a política da empresa seja não comer na mesa de trabalho. Segundo ela, demissão por justa causa só se justifica em casos de roubo ou briga séria com colegas e/ou chefe, por exemplo. Não só pelo fato de a pessoa não poder receber o seguro-desemprego, mas também pelo comprometimento em futuras contratações.
- Por isso é importante a empresa sempre deixar suas políticas, normas e códigos internos claros para os funcionários. E eles devem conhecer essas regras e procurar segui-las - diz Alexandra. - Isso evita que incidentes como esse aconteçam.
Segundo Alexandra, é normal que as empresas estimulem seus funcionários a parar para almoçar, até porque ajuda a relaxar, aumenta a criatividade, melhora o bem-estar e a produtividade. Mas daí a punir um funcionário porque está comendo na mesa de trabalho vai uma distância, diz:
- Já cansei de ver gente trabalhando na hora do almoço, e as empresas brasileiras costumam ser tranquilas em relação a isso.
Se você acha que precisa de mais tempo para fazer o seu trabalho, converse com seu chefe ou gerente sobre isso, pergunte se você pode obter mais algumas horas a cada semana. Se não, ou se você está infeliz com seu trabalho, pode ser o momento de procurar outro emprego.
(Fonte: O Globo - 25/01/2012)