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30/01/2012

Mídias sociais, universo em expansão

Yes, nós estamos na rede. E não passamos despercebidos. O Brasil tem hoje o quinto maior contingente de usuários de rede sociais do mundo, diz a comScore, uma das empresas de medição de acesso mais respeitadas no mercado.

Não à toa, a expansão das plataformas digitais vem promovendo uma corrida crescente por mão de obra especializada. Via de regra, a Geração Y larga na frente graças a uma maior afinidade com as chamadas novas mídias. Mas muitas empresas ainda enfrentam dificuldades na hora do recrutamento. Afinal, não basta ser usuário, é preciso compreender o perfil de cada canal para fazer um bom trabalho.

Para Roberto Brício, sócio da agência de mídias digitais DIZ’AIN e diretor de Comunicação da Associação Brasileira das Agências Digitais Seção Rio de Janeiro (Abradi-RJ), o Facebook foi o grande catalisador desse processo. Há quatro anos, diz, quando as redes sociais despontaram como uma oportunidade real, não havia sequer um curso acadêmico. Mas tudo mudou com o boom da rede de Mark Zuckerberg. Basta lembrar que o Facebook praticamente triplicou o seu número de acessos no país em um ano e no início deste mês superou o Orkut.

Estratégia é fundamental

— Digamos que um universo de oportunidades se abriu nos últimos dois anos. A partir daí, as empresas passaram a capacitar seus funcionários para agir como estrategistas. Hoje, é essencial conhecer a marca e entender os meandros do relacionamento com o cliente. Mas é importante destacar que Facebook, Twitter e Orkut chegaram ao mainstream num mundo onde ainda há infinitas possibilidades — diz Brício.

CEO da Simples Agência, Sabrina Brito atua há seis anos no mercado digital carioca e afirma que, pelo menos até aqui, ainda não foi desenhado um perfil de profissional ideal, embora o setor exija expertise de jornalismo e publicidade.

— No dia a dia, é preciso saber pesquisar, produzir conteúdo leve e atrativo, aproximar a marca dos fãs. O problema é que muita gente acha que, por ser usuário, pode trabalhar como especialista. O resultado é uma falta de estratégia de atuação que acaba afastando o cliente daquela marca — acentua Sabrina. — Uma boa dica, muito explorada nas aulas, é estudar cases, principalmente os polêmicos.

Sócio da agência Kindle, Bruno Chamma ministra um curso de férias sobre mídias sociais na ESPM. Em pauta, temas como controle de conteúdo, ações promocionais e virais, uso de ferramentas e análise de cases. Hoje, ele divide o escritório com dois ex-alunos que se destacaram em sala:

— É preciso ser pró-ativo. Um deles, por exemplo, chamou a atenção por ser extremamente atuante no Twitter, gostar de escrever, produzir um conteúdo atraente. Acredito que, hoje, 70% dos profissionais em atuação são jornalistas, os outros 30% são de áreas distintas.

A jornalista Ana Cristina Fielder trocou uma carreira já consolidada em assessorias de imprensa para assumir o cargo de Coordenadora de Conteúdo e Relacionamento da Grudaemmim, empresa responsável por fazer do Rock In Rio um case de sucesso. Durante os sete dias de shows, o festival atraiu 180 milhões de pessoas nas mídias sociais.

— O know-how adquirido nas assessorias me ajudou a entender e a contextualizar o que havia para ser dito, mas não foi suficiente. Tive que aprender a decifrar as ferramentas: como funcionam, potencial, target, usabilidade. E estar sempre atenta, pois há modificações frequentes, além de novas mídias e possibilidades de uso para as antigas.

Ainda segundo Ana Cristina, é preciso ter maturidade e jogo de cintura para lidar com eventuais momentos de crise.

— A tríade formação, especialização e experiência em comunicação é sempre bem-vinda — analisa Ana Cristina.

Cursos com o foco em gestão

Professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Nino Carvalho é um dos coordenadores — ao lado de Luís Sá — dos novíssimos cursos de MBA “Marketing digital” e pós-MBA “Comunicação e marketing digital”. Em ambos, o foco está na formação de gestores:

— Ficou bem claro para as empresas que elas precisam usar seu potencial digital para estreitar relações com seu cliente. Muitas, inclusive, correm contra o tempo para colocar isso em prática, mas acabam falhando nas contratações. Isso porque faltam pessoas qualificadas, principalmente gestores que planejem e organizem o processo. O que existe é uma mão de obra técnica, que não atende a essa demanda. Ou seja, é preciso investir em qualificação. O setor de novas mídias é tanto promissor quanto desafiador.

Já o professor do Departamento de Informática do Centro Técnico Científico da PUCRio, Daniel Schwabe, chama a atenção para um nicho de mercado que já vem sendo trabalhado em diferentes cursos da universidade. Nele, o público-alvo são, em sua maioria, profissionais com formação em informática.

— Nosso foco está no desenvolvimento de novas tecnologias. Estudamos, por exemplo, como viabilizar a carga de informações do Twitter — diz Schwabe, que também faz pesquisas na área de web semântica.

(Fonte: O Globo - 29/01/2012)