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08/01/2010Guia da Pós
O mercado exige dos profissionais mais do que o diploma de ensino superior. Voltar a estudar depois da graduação pode ajudá-la a conseguir um emprego melhor – e um salário maior
Paula Sato
Qual é a pós-graduação certa para mim?
Existem dois tipos: a stricto sensu (mestrado e doutorado) e a lato sensu (especialização ou MBA). A stricto sensu é mais indicada para quem quer seguir carreira acadêmica, ou seja, fazer pesquisas e dar aulas em faculdades. “Mas o mercado também dá valor a quem tem esse tipo de formação”, afirma Joel Dutra, professor da disciplina de recursos humanos da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do curso de RH da Fundação Instituto de Administração (FIA). Já a lato sensu é indicada para quem está focado no trabalho em empresas. O MBA (sigla em inglês para mestre em administração de negócios), especificamente, é um curso de gestão e é direcionado a profissionais que já têm ou buscam conquistar um cargo de gerência.
Qual o momento ideal para retomar os estudos?
De acordo com Joel Dutra, os três primeiros anos após a graduação são um bom período para fazer uma especialização. “A vivência na carreira começa a exigir isso”, afirma. Como o mestrado e o doutorado exigem uma dedicação quase integral, o melhor é que sejam feitos logo depois da graduação. No caso do MBA, o ideal é que seja feito cinco a oito anos após a graduação ou quando o profissional já estiver em um nível sênior na área de atuação ou seguir uma trajetória gerencial. Apesar dessas recomendações, Joel Dutra lembra que a fórmula não é fechada – o tempo certo depende de cada pessoa. “A pós-graduação impulsiona a carreira em qualquer momento, já que o mercado procura um profissional sempre atualizado.”
Como escolher um bom curso?
O primeiro passo é decidir no que você quer se especializar. Vale pesquisar, assistir a aulas, falar com alunos, professores e com seu chefe para descobrir se o curso corresponde ao que você quer para a sua trajetória profissional. “Quem faz qualquer curso não tem retorno algum fora aumentar uma linha no currículo”, diz Paulo Lemos, superintendente de educação executiva da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “A pós tem de dar um rumo novo à carreira ou estar ligada diretamente a sua área de atuação nos próximos cinco anos.”
Estudar no exterior abre portas para quem quer morar fora. Já para quem quer trabalhar no Brasil, talvez não seja tão vantajoso, pois o curso pode não ter a ver com nossa realidade. Além disso, diz Joel Dutra, um dos ganhos que a pós traz é uma rede de contatos útil para novas oportunidades de trabalho – algo mais difícil de obter em um curso em outro país.
Também é preciso investigar se a instituição é de qualidade. “No caso do MBA, o curso deve ser registrado no MEC, e o ideal é que tenha ao menos 480 horas de aulas presenciais”, diz Armando Dal Colletto, diretor acadêmico da Business School São Paulo e conselheiro fiscal da Associação Nacional de MBA (Anamba). “Também é importante verificar o currículo dos professores, para ter certeza de que eles têm titulação acadêmica e experiência de mercado.” O MEC só reconhece cursos em que 50% dos professores tenham mestrado ou doutorado, e o diploma só pode ser concedido a quem tem ao menos 75% de presença. Armando Dal Colletto ressalta que um bom curso deve ter um processo seletivo adequado. “É importante estudar com pessoas experientes, que tragam algo interessante para a discussão e queiram aprender.”
Como pagar?
O mestrado e o doutorado são oferecidos de graça por universidades públicas, mas a concorrência é grande. Já o custo total de um curso de especialização está entre R$ 18 mil e R$ 25 mil, enquanto o MBA pode chegar a R$ 40 mil (ambos para um ano e meio de aulas). Algumas empresas ajudam os funcionários a pagarem os estudos, desde que eles se comprometam a não mudar de emprego por algum tempo depois de concluírem a pós.
Segundo Joel Dutra, como o estudo continuado traz uma melhora de salário, vale a pena pegar um empréstimo para pagar a mensalidade. Mas, para Paulo Lemos, da FGV, quem não pode pagar pelo curso agora deve esperar um momento mais propício. “Endividar-se é assumir um risco financeiro, sem garantias da data do retorno. Se a empresa deixou claro que o funcionário será promovido logo que concluir a pós, aí vale a pena pensar em contrair uma dívida.”
Poucas instituições oferecem bolsas para pós-graduação lato sensu. O benefício costuma ser oferecido por órgãos do governo para mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos. O Capes (Centro de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), vinculado ao Ministério da Educação, e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), agência do Ministério da Ciência e Tecnologia, oferecem bolsas para quem faz uma pós stricto sensu em universidades públicas e particulares, do Brasil ou do exterior. Geralmente, o bolsista deve se dedicar exclusivamente ao estudo. Mestrandos recebem, no Brasil, R$ 1.200. Doutorandos, R$ 1.800. O Capes também oferece uma bolsa para pós em instituição privada – nesse caso, o aluno pode trabalhar fora.
Qual é o retorno?
Segundo a pesquisa “Você no Mercado de Trabalho”, divulgada em 2008 pelo Centro de Políticas Sociais da FGV, cada ano a mais de estudo representa, em média, um aumento de 15% no salário. E, quando são comparadas a remuneração de quem concluiu a faculdade com a de quem terminou o primeiro ano de pós, a diferença entre elas chega a 47%. Mas Paulo Lemos, da FGV, faz uma ressalva: “Na média, o ganho ocorre. Mas, se você fizer um curso que não interessa para a empresa em que está, o retorno não será imediato”.
Ainda assim há outro bom motivo para a volta às aulas: “Com a concorrência cada vez maior, o funcionário que fica parado pode ser o primeiro a ser dispensado em momentos de crise”, afirma Paulo Lemos.
DICA DE QUEM FEZ
“Se você vai gastar dinheiro com isso, tem de escolher uma boa faculdade. Não vale a pena fazer um curso mais ou menos. É preciso procurar indicação de professores e outros profissionais e também analisar se o conteúdo do curso tem a ver com o que você quer aprender.” Acácia Castilho, 34, engenheira de projetos, que já fez mestrado, especialização e MBA.
“Eu me formei em 1996 e sempre tive vontade de voltar a estudar, mas não tinha ideia da área em que gostaria de me especializar e acho que não vale a pena fazer qualquer curso só para ter um título. Hoje, faço especialização em gestão da hospitalidade em serviços de saúde. O curso está me ajudando a entender melhor minha área de atuação e a conseguir mais clientes.” Karen Ueda, 35, arquiteta
Link da materia completa: http://revistacriativa.globo.com/Revista/Criativa/0,,ERT112598-17376,00.html