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06/04/2010Reajuste de salários deve ser acima ou igual à inflação
Grande parte dos trabalhadores do país devem conseguir ajuste salarial igual ou acima da inflação neste ano, prevê o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A inflação baixa e o crescimento econômico elevado deverão contribuir para a alta salarial em todas as categorias acompanhadas pelo Dieese. Em 2009, 93% de 692 categorias tiveram esse resultado.
Segundo José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de Relações Sindicais do Dieese, se confirmada a tendência de uma inflação semelhante à de 2009 e um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 5% e 6%, 100% das categorias serão beneficiados em 2010.
Em 2008, quando a economia cresceu 5,1% e a inflação registrou média de 6,46%, 88,5% de categorias tiveram reajustes iguais ou maiores que a inflação. “Nos momentos em que a inflação é mais alta, os resultados dos acordos costumam ser piores”, avaliou.
Já a taxa de desemprego no país subiu para 13% em fevereiro, ante 12,6%, registrado no mês anterior. Em fevereiro de 2009, o índice foi de 13,9%, segundo dados divulgados ontem pelo Dieese, que avaliou seis regiões metropolitanas. De acordo com o professor da FGV Management, Robson Gonçalves, este número pode ser explicado por efeitos sazonais.
– Dois fatores explicam o aumento da taxa. O mercado costuma contratar mais temporários em novembro, dezembro e estes são dispensados em fevereiro e março. E, em tempos de crise, como no fim de 2008 e início de 2009, as pessoas têm mais dificuldades de encontrar emprego e acabam se sujeitando aos bicos.
Quando a economia volta a se aquecer, as pessoas voltam a procurar emprego, e a taxa de desemprego sobe – explica.
O Dieese divulgou ainda que o nível de ocupação caiu na maioria dos setores, em relação a janeiro: construção civil perdeu 6 mil postos, indústria, 10 mil, e outros setores 23 mil. No comércio, no entanto, o nível de ocupação ganhou 42 mil postos de trabalho, e no setor de serviços, 22 mil.
Para os próximos meses, Gonçalves acredita que a taxa de desemprego deve cair. “Se a previsão de crescimento do PIB de 5,5% este ano se concretizar, o mercado contratará mais”.
JB Online