Por que um MBA específico em Gestão Industrial? Por que capacitar profissionais neste campo?
Porque não é raro ver, dentro de uma empresa, a função da produção colocada num papel reativo e secundário com relação a outras áreas igualmente estratégicas como marketing, vendas, finanças, pesquisa e desenvolvimento, recursos humanos, entre outras.
Com o acirramento competitivo dos mercados, porém, a definição de “que preços cobrar”, “que prazos prometer” e “com qual qualidade fabricar” foge ao controle puro e simples de qualquer área da organização, tornando-se um fato externo à mesma, determinado pelo mercado.
Neste contexto, a gestão da produção passa a ter um conteúdo não meramente tático e operacional, mas também estratégico, tornando-se um conhecimento de interesse não apenas dos gestores da produção, mas também de profissionais das mais diversas áreas da organização e de toda a cadeia de valor onde a mesma se insere.
Com essa nova perspectiva, a gestão da produção assume um caráter essencialmente pro ativo, devendo ser capaz de conjugar as preocupações tradicionais ligadas à eficiência do processo e redução de custos com aspectos mais diretamente relacionados à satisfação dos clientes como qualidade do produto, cumprimento de prazos e rapidez na adaptação a novas circunstâncias de mercado, como introdução de novos produtos, mudanças de mix e de capacidade de produção, entre outros aspectos.
Talvez não seja exagero dizer que fora da produção – isto é, fora do lugar onde realmente se agrega valor ao produto ou ao serviço - não há processo de geração de riqueza que seja sustentável ao longo do tempo. Por esta razão, os métodos e tecnologias de gestão da produção de bens e serviços passaram nestas últimas décadas por rápidas e marcantes transformações, contribuindo decisivamente para o sucesso e competitividade de organizações em todo o mundo.
Siglas como JIT, TGM, TPM, MRP II, ERP, CRM, DRP, DRP II, SCM, MES, OPT / TOC, ABC / ABM e ISO 9000 / 14000, E - BUSINESS, B2C, B2B, entre outras, estão hoje amplamente difundidas. Contudo, a adoção efetiva das filosofias e técnicas que elas expressam é ainda insuficiente ou ainda inexistente em muitas empresas. Com efeito, organizações que procuram implementar tais abordagens e procedimentos de forma pouco criteriosa, ou sem a adequada capacitação de seu corpo de funcionários, têm obtido resultados por vezes aquém dos esperados, não duradouros, ou até mesmo desfavoráveis.
Esses fatos evidenciam que os diferentes enfoques e métodos de gestão - por mais úteis que já tenham se mostrado - não devem naturalmente ser vistos como penáceas para os problemas de produtividade e qualidade com os quais as empresas se defrontam. Ao contrário, a utilidade e a aplicabilidade de cada técnica, para um dado sistema de produção, tende a variar em função de fatores como, por exemplo, a natureza da demanda a ser atendida, o segmento industrial, o tipo do produto, o processo de fabricação, o nível de capacitação do pessoal, e o próprio porte e cultura da organização.
Na medida em que esta percepção se amplia, cresce o interesse em se conhecer as tecnologias de gestão de forma crítica e fundamentada - avaliando-se, de um lado, os seus componentes conceituais, tecnológicos, humanos e organizacionais e, de outro, as suas inter-relações, origens, possibilidades de adaptação a outros ambientes, processos de implantação, experiências práticas passadas, e perspectivas futuras.

